Louceiras de Maruanum Apresentam Tradição em Exposição no Rio de Janeiro

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Introdução: Tradição e Cultura do Amapá em Destaque

O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP) e a Associação de Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro inauguraram uma exposição que promete encantar os apreciadores de arte e cultura popular brasileira. Intitulada Filhas e Netas da Mãe do Barro: As Louceiras de Maruanum, a mostra acontece no Rio de Janeiro e celebra, pela primeira vez fora do estado do Amapá, o trabalho tradicional das artesãs de Maruanum. A exposição sublinha a riqueza cultural da confluência entre saberes indígenas e africanos na feitura de cerâmicas.

As Origens e o Processo de Produção

Maruanum, um distrito rural do Amapá, é conhecido por seu peculiar processo de fabricação de louças de barro. As cerâmicas produzidas ali são fruto de um conhecimento transmitido através de gerações, que une práticas indígenas com matrizes africanas. A antropóloga Ana Carolina Nascimento, responsável por uma pesquisa aprofundada sobre esse ofício artesanal, revela que a iniciativa de trazer essas peças ao cenário nacional foi acalentada por mais de quinze anos.

A produção dessas louças é fortemente dependente das matérias-primas locais e segue um ritual complexo. Elementos como o barro da região, as cinzas do caripé e a resina de jutaicica são essenciais para a produção das peças. Esses componentes são escolhidos e trabalhados com cuidado, respeitando práticas tradicionais que incluem rituais de agradecimento.

Reconhecimento e Valor Cultural

No cenário amapaense, 26 pessoas, incluindo homens e crianças, atuam na preservação dessa tradição. Para o superintendente do Iphan no Amapá, Michel Bueno Flores da Silva, a exposição e o movimento comunitário em torno dessa arte artesanal abrem caminhos para o reconhecimento do ofício das louceiras como Patrimônio Imaterial. Essa qualificação não só garantiria a proteção cultural como também destacaria a importância da produção cultural do Amapá no Brasil.

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Entre os benefícios esperados estão a defesa dos territórios de coleta e a transmissão intergeracional do conhecimento tradicional. A valorização econômica é também um ponto importante, pois se alinha com os significados culturais e espirituais enraizados na tradição das louceiras.

Protagonistas do Saber Ancestral

A abertura da mostra contará com uma roda de conversa enriquecida pela presença de Marciana Dias, a mais antiga e respeitada artesã de Maruanum. Com 85 anos, ela é a guardiã desse ofício e lidera o grupo local de marabaixo, preservando outras expressões da cultura amapaense.

Junto a outras artesãs e pesquisadoras, iniciativas educacionais foram criadas para potencializar a transmissão desse conhecimento, motivando jovens a aprender e perpetuar o ofício. O Instituto Federal do Amapá (Ifap) e grupos de pesquisa, como o Cemadere, desempenham papéis importantes nesse processo, articulando políticas públicas e educação patrimonial.

Visitação e Comercialização

A mostra, que integra o programa Sala do Artista Popular, está aberta para visitação gratuita até 1º de julho. Para os entusiastas e colecionadores de arte popular, a oportunidade vai além da apreciação. As peças estarão disponíveis para aquisição no Ponto de Comercialização Permanente no CNFCP, promovendo a economia local e a valorização deste rico patrimônio cultural. Localizado na zona sul do Rio de Janeiro, o centro abre suas portas a todos que queiram prestigiar essa celebração do saber e da arte popular brasileira.

Conclusão

A exposição das Louceiras de Maruanum no Rio de Janeiro é um marco significativo, não apenas para o reconhecimento nacional e internacional destas valiosas tradições culturais, mas também como um passo essencial para a sua preservação. Ao iluminar o trabalho das artesãs do Amapá, o evento contribui para a valorização da diversidade cultural brasileira e incentiva novas gerações a manterem viva essa rica herança.

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