Introdução
As preocupações com o aumento de casos de doenças respiratórias, como a gripe e o vírus sincicial respiratório (VSR), estão mobilizando as autoridades de saúde no Hemisfério Sul. Informações recentes indicam um crescimento na taxa de positividade para esses vírus, levantando alertas sobre um possível impacto na capacidade dos sistemas de saúde.
Alta na Taxa de Positividade para Influenza
O Brasil registrou um aumento na taxa de positividade para a influenza, que passou de menos de 5% no início do ano para 7,4% no final de março. A predominância da Influenza A(H3N2) foi destacada, com 72% dos casos relacionados ao subclado K. Este dado é resultado de testes realizados até 21 de março, que ajudam a mapear as variantes em circulação.
Crescimento do Vírus Sincicial Respiratório
A exemplo da influenza, o VSR tem mostrado uma presença crescente em vários países, incluindo o Brasil, antes mesmo do período sazonal esperado. Essa antecipação pode aumentar a carga de doença entre crianças pequenas e outros grupos vulneráveis.
Importância da Vacinação
Diante desse cenário, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) recomenda esforços vigorosos para a promoção da vacinação. Relatórios indicam que a vacina contra a gripe é eficaz, com uma taxa de até 75% de prevenção de hospitalizações em crianças, como observado no Reino Unido.
O Brasil, por meio de seu Sistema Único de Saúde (SUS), oferta anualmente vacinas atualizadas para a gripe, incluindo a cepa H3N2. A campanha de imunização prioritária abrange crianças menores de 6 anos, idosos, gestantes, pessoas com comorbidades, trabalhadores da saúde, indígenas e outros grupos de risco.
Medidas Adicionais de Prevenção
Além da vacinação, medidas de higiene, como a ‘etiqueta respiratória’, são fundamentais para controlar a transmissão. Lavar as mãos regularmente e evitar locais públicos durante episódios de febre são ações cruciais. O cuidado com crianças que apresentam sintomas respiratórios, evitando que frequentem escolas, também é aconselhado.
Situação das Síndromes Respiratórias
Dados da Fundação Oswaldo Cruz, publicados no Boletim Infogripe, corroboram a preocupação da OPAS. O relatório da semana entre 19 e 25 de abril constatou um aumento nos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) por Influenza A e VSR em todas as regiões brasileiras.
De 27 unidades federativas, 24 estão em algum nível de alerta para SRAG, com uma tendência de crescimento de casos em 16 estados. O boletim registrou mais de 46 mil casos no Brasil em 2026, com 26,4% atribuídos à Influenza A e 21,5% ao VSR.
Conclusão
A intensificação das campanhas de vacinação e a adoção de medidas preventivas são fundamentais para minimizar o impacto dos surtos de gripe e VSR. A coordenação entre autoridades e a conscientização da população sobre as práticas de higiene podem evitar o esgotamento dos sistemas de saúde e proteger grupos vulneráveis, especialmente crianças pequenas.